14 de fevereiro de 2013

Feliz dia dos desnamorados

Não percebeste o porquê. Ainda havendo amor e carinho entre nós, a relação piorava de dia para dia. Agora que penso nisso, nem eu percebi porquê.
Sei que, largando tudo nesta vida, apenas resta o amor. Nada mais permanece, mas ele, o amor, não morre. Por mais que me odeies e eu te deteste, por mais que eu me zangue e tu me vires as costas... há amor. Tanto que nem sei se não é esse o problema. Talvez não saibamos lidar com ele. É como deus, do qual tanta gente fala. Onde está ele, quem é ele, porque não o vejo? Assim é o amor, maior que tudo o que existe e todos alcança.
Hoje estamos separados, longe do olhar um do outro, e queremo-nos juntos mais que tudo. E ainda assim, se nos juntarmos, tudo cai de novo. Trazemos vento ao castelo de cartas do amor... e este desaba. Ambos sabemos disso, mas não sabemos o porquê... Maldito amor que nos afasta. Bendito amor que nos une. Amor... hoje estou só, tu não sei com quem estás...

10 de fevereiro de 2013

Estavas lá

Quanto tenho de andar para até ti chegar? Naquela que era a floresta encantada, avançaste a passos largos para que eu te perdesse o norte... E conseguiste. Não mais te encontrei, mesmo continuando a procurar, atrás de árvores, debaixo de amontoados de folhas, atrás de arbustos... nada. Apenas o crepitar de alguns ramos que eu pisava e alguns chilreares perdidos nas folhagens davam o seu ar. Que momento e local errados para iniciares tal brincadeira, querida... Começo a perder a graça, o assunto torna-se sério... O sol já quase posto está. A luz diminui a ponto de eu quase nada ver. Começo a tactear cegamente, sentindo os troncos e as rochas esfriarem sem clemência. Dou passos cada vez mais curtos, por entre relevos estranhos a meus pés... ... até deixar de sentir o chão! Sem equilíbrio para recuar, nem nada a que me agarrar, uma sensação de vazio enorme em meu redor fez-me cair no que parecia ser um buraco sem fundo, escuro, e sem piedade! A sensação do vazio avassalou-me! Os meus gritos nem os ouvia, do sufocado que me sentia!
O impacto foi bruto, quando o chão alcancei! "Estou acabado", pensei. Lentamente fui abrindo os olhos... e flectindo os braços para levantar o corpo do chão... de madeira, pelos vistos. Olho em frente, uma mesinha de cabeceira... Olho à direita, uma cama... com um lençol ainda esticado até à minha cintura...
"Voltaste a ter um pesadelo, tontinho?" - perguntas-me tu, deitada de lado, destapada pelo lençol que puxei para o chão, e com um sorriso gozão na cara: "Vem cá que eu acalmo-te." Começando eu a pôr o cérebro no sítio, ainda com os olhos semicerrados, subi lento de moleza para a cama, agarrei-me ao teu colo, e silenciosamente agradeci ter-te encontrado! Voltei a adormecer, feliz da vida, enquanto me fazias festinhas, abraçada a mim. Assim vale a pena cair...

8 de fevereiro de 2013

O comando é teu

Senti-me mais normal que o normal dos dias. A chaleira assobiava ao lume, a janela deixava entrar uma brisa sorrateira que me afagava o cabelo, enquanto eu reflectia sobre o que quererias dizer com a conversa de ontem... Mas não me permitiste alongar a reflexão. Num estrondo que me fez virar de imediato, arrombaste a porta e, com a mesma velocidade com que o fizeste, só paraste diante do meu nariz, de indicador direito em riste.
- Não há mais disso entre nós, ouviste?!
A violência do argumento foi tanta, que nem deu oportunidade ao meu raciocínio responder. Mulher séria e apaixonada que és, ternurenta, quente e amiga, não baixaste a mão, esperando a minha resposta. Mas eu estava petrificado. Longas têm sido as nossas aventuras e amores, sério o nosso caso. O teu cabelo solto, os teus lábios definidos, os teus olhos profundos, sempre me agarraram o intelecto. Eu nunca te quis magoar, mas tens razão... ontem elevei a voz só porque... não sei, talvez te estivesse a pôr à prova inconscientemente. Sim, porque depois disso julguei-me, e condenei-me.
- Eu...
Nada mais disse, porque nada mais me ocupava o cérebro. Aproximei lentamente os meus lábios aos teus, tu deixaste, o calor foi partilhado, os movimentos doces surgiram.
- Espero que tenhas juízo! - disseste tu, descolando os lábios dos meus, dando meia volta, e saíndo por onde entraste.
Permaneci de boca entreaberta, tal qual a posição do beijo em que me deixaste... O meu pensamento reestruturou-se e, se já te amava, apaixonei-me. Dizem que a paixão antecede o amor. Tu inverteste-me o processo.